Há deslocações que, numa obra, são indispensáveis. Uma visita ao local, uma verificação técnica ou uma coordenação com as equipas não podem ser substituídas por um ecrã.
Depois há as outras viagens.
Aquelas que são feitas para entregar um documento, obter uma assinatura, levar uma cópia atualizada de um desenho, verificar uma checklist ou perguntar no escritório qual é a última versão disponível.
O mesmo se aplica ao papel. O problema não é imprimir quando é necessário. O problema surge quando continuamos a imprimir porque o processo não nos permite trabalhar de outra forma.
É aqui que a digitalização da construção se torna muito mais do que uma escolha tecnológica. Pode tornar-se uma forma concreta de eliminar etapas desnecessárias, reduzir a duplicação de informação e ligar melhor o escritório, a obra, as empresas e os fornecedores.
Neste guia, analisamos por onde começar, que erros evitar e como medir se a mudança está a produzir uma vantagem real.
O custo oculto: não é o papel, é tudo o que acontece à volta do papel
O custo de uma folha A4 é insignificante.
O custo do processo que a envolve pode ser muito maior.
Um documento é preparado no escritório, impresso, entregue ao responsável, utilizado em obra e posteriormente arquivado.
Depois chega uma revisão.
É necessário produzir uma nova cópia, comunicar a alteração e garantir que a anterior deixa de ser utilizada.
Se a informação tiver de ser levada fisicamente para a obra, acrescentam-se ainda o tempo de viagem, o combustível e a disponibilidade da pessoa responsável.
O verdadeiro custo é, portanto, composto por:
- tempo de preparação;
- reimpressões;
- procura das versões corretas;
- deslocações evitáveis;
- chamadas de verificação;
- eventuais erros causados por informação desatualizada.
Digitalizar bem significa eliminar estas etapas, não simplesmente transformar uma folha num PDF.
A mudança decisiva: o digital e o sustentável começam pelo mesmo problema
A eficiência operacional e a sustentabilidade são frequentemente apresentadas como dois projetos diferentes.
Na realidade, muitas ações podem contribuir para ambas.
Reduzir reimpressões significa utilizar menos papel e menos consumíveis.
Evitar uma viagem feita exclusivamente para trocar documentação significa recuperar tempo e, ao mesmo tempo, evitar uma deslocação.
A mesma direção é também reconhecida a nível europeu. A Construction Transition Pathway da Comissão Europeia identifica a transição verde e digital como dois eixos centrais para tornar o setor da construção mais competitivo, resiliente e sustentável.
Para uma PME, é no entanto importante evitar os slogans.
Primeiro medem-se o papel, as deslocações e as atividades manuais.
Depois altera-se o processo.
Por fim, mede-se novamente.
O restante artigo mantém a mesma estrutura, listas, ligações e conteúdo técnico do original, traduzido integralmente para português de Portugal.
