Uma empresa executa muito bem obras de remodelação e trabalhos estruturais, mas não tem uma equipa interna para as instalações. Outra é especializada precisamente nessa área, mas tem dificuldade em aceder a empreitadas de maior dimensão. Um fornecedor conhece ambas, mas normalmente só se cruza com elas quando o trabalho já começou.
É uma situação muito comum na cadeia da construção.
As competências existem, as empresas existem e as oportunidades existem. O que muitas vezes falta é um sistema simples para as pôr em contacto e, sobretudo, para transformar o primeiro contacto numa colaboração que funcione realmente em obra.
Por isso, a colaboração entre empresas de construção não deve ser vista apenas como networking. Pode tornar-se uma verdadeira ferramenta comercial e operacional: permite alargar as competências oferecidas, assumir empreitadas mais complexas, encontrar fornecedores ou subempreiteiros e construir relações que podem ser reutilizadas em vários projetos.
Mas, para funcionar, são necessários três elementos: o parceiro certo, regras claras e uma forma organizada de trabalhar em conjunto.
Porque é que hoje a colaboração pode tornar-se uma vantagem competitiva
Poucas empresas conseguem ter internamente todas as competências necessárias para qualquer empreitada.
Instalações, estruturas metálicas, caixilharia, acabamentos, impermeabilizações, projeto, segurança, fornecimentos especializados: o trabalho está naturalmente distribuído por uma cadeia composta por diferentes intervenientes.
A possibilidade de constituir rapidamente uma equipa de empresas fiáveis pode, assim, alargar aquilo que uma única empresa consegue propor ao mercado.
A própria Comissão Europeia descreve a construção como um verdadeiro ecossistema, composto por empresas, associações, autoridades, profissionais e outras partes interessadas que têm de colaborar para enfrentar a transição digital, a sustentabilidade, as competências e os novos modelos de negócio.
A Construction Transition Pathway da Comissão Europeia coloca, de facto, a colaboração, a partilha de conhecimentos, a digitalização e a resiliência entre os elementos da transformação do setor.
Para uma PME, tudo isto traduz-se numa pergunta muito concreta:
“Com que empresas podemos trabalhar bem quando surge uma empreitada que não conseguiríamos cobrir sozinhos?”
O primeiro erro: procurar um parceiro apenas quando o problema já é urgente
Muitas colaborações começam assim:
“Conhece alguém disponível a partir da próxima semana?”
Quando a procura começa em situação de emergência, o preço e a disponibilidade correm o risco de se tornar os únicos critérios.
É muito mais eficaz construir uma pequena rede antes de ela ser necessária.
Para cada empresa potencialmente interessante, é útil conhecer pelo menos:
- especialização;
- área geográfica;
- dimensão indicativa da equipa;
- tipo de trabalhos realizados;
- eventuais certificações ou requisitos relevantes;
- referências e trabalhos anteriores;
- forma de organização e disponibilidade.
Não é necessário criar uma base de dados gigantesca.
Dez parceiros bem conhecidos podem ter muito mais valor do que mil contactos recolhidos sem contexto.
A seleção certa: não escolher apenas com base no preço
O preço continua, naturalmente, a ser importante.
Mas uma colaboração pode custar muito mais do que o previsto se o parceiro chegar atrasado, utilizar documentação incompleta, comunicar mal ou exigir verificações constantes.
Antes de começar, avaliaria pelo menos quatro áreas.
Competência. Tem experiência real no trabalho solicitado?
Fiabilidade. As referências e os trabalhos anteriores confirmam aquilo que declara?
Organização. Consegue cumprir a documentação, as atualizações e os prazos?
Compatibilidade. A sua forma de trabalhar é suficientemente compatível com a vossa?
O último ponto é muitas vezes ignorado, mas é fundamental.
Duas excelentes empresas podem colaborar mal se uma trabalha através de procedimentos muito estruturados e a outra comunica quase exclusivamente por chamadas informais.
Cenário prático: uma empreitada que exige três competências diferentes
Imaginemos uma remodelação que exige trabalhos estruturais, renovação das instalações e acabamentos.
Nenhuma das três empresas envolvidas poderia, sozinha, oferecer o serviço completo.
Em conjunto, podem apresentar uma proposta mais completa.
No entanto, o valor da colaboração não nasce no momento em que o cliente assina.
Nasce antes.
As empresas têm de definir:
- quem coordena a empreitada;
- ordem dos trabalhos;
- informação necessária entre uma fase e outra;
- forma de gerir as alterações;
- documentos e responsabilidades;
- condições económicas definidas nos acordos.
Se estes pontos forem esclarecidos antecipadamente, a colaboração tem uma estrutura.
Se forem discutidos apenas quando surge o problema, o projeto torna-se o local onde a relação entre as empresas é continuamente negociada.
Pôr tudo por escrito: confiança e regras têm de coexistir
A confiança é fundamental na construção.
Mas precisamente quando existe uma boa relação, convém esclarecer as regras antes de começar.
Os acordos específicos dependem naturalmente do tipo de relação e do projeto, mas, do ponto de vista operacional, é útil esclarecer pelo menos:
- âmbito das atividades;
- responsabilidades operacionais;
- prazos e dependências entre os trabalhos;
- forma de gerir as alterações;
- documentação a produzir;
- critérios económicos e forma de pagamento;
- responsáveis das diferentes empresas.
O objetivo não é transformar qualquer colaboração em cem páginas de procedimentos.
É evitar que uma decisão importante dependa da memória de uma conversa ocorrida semanas antes.
A segurança não pode ser “delegada na colaboração”
Quando várias entidades trabalham no mesmo projeto, a coordenação operacional e a segurança tornam-se ainda mais importantes.
Mas é necessário evitar simplificações.
Os documentos, as obrigações e as figuras envolvidas dependem da configuração concreta do estaleiro e do regime normativo aplicável.
A referência geral continua a ser o D.Lgs. 81/2008, cujo Título IV regulamenta especificamente os estaleiros temporários ou móveis.
Também o INAIL dedica recursos específicos à construção e às medidas técnico-organizativas necessárias para a prevenção.
Uma plataforma pode ajudar a organizar a informação e as responsabilidades operacionais. Não substitui as obrigações nem as figuras previstas na lei.
O segundo erro: colaborar bem em obra, mas mal com a informação
Duas equipas podem trabalhar muito bem em conjunto e, ainda assim, ter uma gestão da informação desorganizada.
Uma utiliza o WhatsApp.
Outra envia tudo por e-mail.
O coordenador mantém o seu próprio Excel.
O dono da obra recebe atualizações através de um quarto canal.
Enquanto o trabalho decorre normalmente, parece suficiente.
Quando surge uma alteração ou um atraso, é necessário reconstruir o que foi decidido.
Por isso, uma colaboração eficaz deveria ter pelo menos:
- um ponto oficial para a documentação;
- responsáveis identificados;
- uma forma partilhada de atualizar as fases;
- um procedimento simples para problemas e alterações.
A vantagem escondida: uma boa colaboração pode ser reutilizada
O valor de uma parceria não deve terminar com o estaleiro.
Se duas empresas trabalharam bem em conjunto, essa relação torna-se um ativo para ambas.
Na empreitada seguinte já conhecem:
- os responsáveis;
- os tempos de resposta;
- a qualidade do trabalho;
- os procedimentos operacionais;
- a documentação necessária.
Diminui o custo necessário para iniciar a relação.
E é aqui que uma simples colaboração pode transformar-se numa verdadeira rede profissional.
Network da construção: não um diretório, mas uma forma de encontrar capacidades que hoje faltam
Um diretório com milhares de empresas pode ser útil.
Mas não é suficiente.
Quando surge uma necessidade, a empresa quer saber:
quem pode executar esse trabalho?
onde trabalha?
que experiência tem?
como posso contactá-lo?
e, depois de o encontrar, como posso trabalhar com ele?
O valor de um network da construção aumenta quando a descoberta do parceiro e a colaboração operacional começam a estar ligadas.
É uma diferença importante entre uma lista de contactos e um ecossistema profissional.
Da oportunidade à empreitada: o passo que muitas vezes falta
Encontrar uma empresa interessada é apenas o início.
A partir desse momento, é necessário passar por:
primeiro contacto;
avaliação mútua;
definição da colaboração;
partilha da documentação;
início da empreitada;
coordenação das atividades.
Se cada passo ocorrer através de uma ferramenta diferente, parte do valor gerado pelo network volta a dispersar-se.
É por isso que o conceito de Construction Operating System se torna interessante: o network pode ser o ponto onde nasce a oportunidade, enquanto o sistema de gestão se torna o ambiente onde essa relação gera trabalho.
Cenário realista: cinco empresas que constroem uma oferta mais completa
Imaginemos um grupo de empresas locais especializadas, respetivamente, em obras de construção, instalações, caixilharia, isolamento e acabamentos.
Cada uma continua autónoma.
Mas, quando surge uma requalificação complexa, podem construir uma proposta coordenada.
O cliente obtém um interlocutor mais organizado.
As empresas acedem a uma empreitada que, individualmente, teria sido mais difícil de cobrir.
Para funcionar, porém, não basta inserir cinco logótipos na mesma apresentação.
É necessário definir responsabilidades, sequência dos trabalhos, documentação, responsáveis e formas de coordenação.
A colaboração comercial tem de se transformar em colaboração operacional.
Como perceber se um parceiro merece entrar na sua rede
Depois de cada colaboração, registaria algumas informações.
- cumpriu os principais prazos?
- produziu a documentação solicitada?
- como geriu os problemas e as alterações?
- a comunicação foi eficaz?
- voltaríamos a trabalhar com esta empresa?
Não é necessário transformar tudo num sistema de avaliação sofisticado.
É necessário criar memória organizacional.
Caso contrário, seis meses depois, a empresa recomeça a procura do zero.
Medir a colaboração: os KPI que realmente contam
Também é possível medir uma relação entre empresas.
Alguns indicadores interessantes são:
- tempo necessário para encontrar um parceiro adequado;
- tempo entre o primeiro contacto e o início operacional;
- atrasos gerados pelas dependências entre empresas;
- número de pedidos de esclarecimento;
- número de colaborações repetidas;
- oportunidades comerciais que surgiram através de parceiros existentes.
O dado talvez mais interessante seja precisamente o último.
Uma rede profissional funciona realmente quando não produz apenas contactos, mas também novas oportunidades de trabalho.
Três ações poderosas para fazer amanhã de manhã
1. Mapeie aquilo que lhe falta.
Escreva cinco competências que solicita frequentemente no exterior.
2. Identifique duas empresas para cada competência.
Não espere pela próxima emergência para as conhecer.
3. Torne claro aquilo que pode oferecer aos outros.
A colaboração funciona nos dois sentidos.
O perfil da sua empresa deve explicar rapidamente:
- o que faz;
- onde trabalha;
- que trabalhos procura;
- que competências pode oferecer a outras empresas.
Onde entra a Edil-Up: de encontrar uma empresa a trabalhar em conjunto
É precisamente nesta ligação que a Edil-Up constrói a sua lógica.
Por um lado, existe o network profissional: empresas, perfis, anúncios, contactos e oportunidades.
Por outro, existe a gestão operacional do estaleiro: projetos, fases, colaboradores, funções e permissões, documentos, comunicações, presenças e informações operacionais.
A ideia é simples:
a plataforma onde encontro uma empresa também pode tornar-se o ambiente onde começo a trabalhar com essa mesma empresa.
Para as empresas de construção, isto significa poder utilizar o network não apenas para aumentar a visibilidade, mas para criar relações que podem evoluir para colaborações operacionais.
Quem quiser comparar a componente de gestão pode consultar o guia sobre software de gestão de estaleiros.
Porque é que um Construction Operating System pode reforçar a cadeia
O estaleiro moderno não é composto por uma única empresa.
É um conjunto temporário de entidades que têm de produzir um resultado comum.
O problema é que, terminado o projeto, grande parte da informação e das relações geradas perde-se.
Um Construction Operating System pode contribuir para manter uma maior continuidade entre:
- empresa;
- pessoa;
- competência;
- estaleiro;
- documento;
- colaboração.
O verdadeiro valor surge quando estes elementos não têm de ser reconstruídos de raiz em cada nova empreitada.
Lista de verificação antes de iniciar uma nova colaboração
- Verificámos as competências e referências relevantes?
- O âmbito e as responsabilidades operacionais estão claros?
- Os responsáveis estão identificados?
- Sabemos onde serão partilhados os documentos?
- É claro como gerir uma alteração?
- Estão definidos os principais aspetos económicos?
- Foram corretamente avaliadas as responsabilidades e obrigações de segurança aplicáveis?
- Existe um método para atualizar o estado dos trabalhos?
- Conservaremos a informação útil também depois do fim da empreitada?
Conclusão: criar uma rede não significa colecionar contactos
Um contacto torna-se interessante quando pode resolver um problema.
Uma colaboração torna-se interessante quando permite realizar um trabalho melhor do que conseguiríamos fazer sozinhos.
Uma rede torna-se estratégica quando estas colaborações podem repetir-se.
É esta a verdadeira oportunidade para a cadeia da construção.
Não se trata simplesmente de criar mais ligações.
Trata-se de criar ligações com contexto, competência e possibilidade concreta de se transformarem em trabalho.
A colaboração entre empresas de construção gera valor quando o network não termina no contacto: começa aí.
Para conhecer melhor a visão que está na base da plataforma, pode também consultar o projeto Edil-Up.
Equipa Edil-Up
